A receita mineira

Com atração de investimento e oferta de capacitação, Pouso Alegre é a cidade do país mais segura para os jovens

Humberto Maia Júnior
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Germano Lüders

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Uma mágoa dos moradores de Pouso Alegre com forasteiros é quando eles saem falando que a cidade é feia. Situada no meio de um vale no sul de Minas Gerais, ela carece dos prédios históricos de Tiradentes e Ouro Preto e das belezas naturais das também mineiras Gonçalves e Monte Verde. É fato. Mas daí a dizer que o lugar é mal-apanhado soa como uma indelicadeza — que não deveria alterar o humor dos pouso-alegrenses.

Há um ponto em que Pouso Alegre não só não deve nada como está bem melhor que Gonçalves, Tiradentes e os demais 5.567 municípios brasileiros. A cidade é a primeira colocada no ranking do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência.

O estudo, feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONG dedicada à questão da violência, analisou indicadores de educação, emprego, desigualdade e mortes violentas na população de 12 a 29 anos dos 283 municípios com mais de 100 mil habitantes.

A conclusão: o jovem que vive em Pouso Alegre é o que tem a menor chance de ser vítima — ou cúmplice — da criminalidade. O ranking foi feito com dados de 2010. A principal diferença da cidade em relação às demais 282 da lista está no quesito homicídio. Naquele ano, nenhum jovem foi assassinado em Pouso Alegre, que tem quase 135 mil habitantes. A baiana Eunápolis, com população de 102 mil, é a pior no ranking e registrou 68 homicídios de jovens em 2010.

A boa posição no ranking não pode levar à conclusão de que Pouso Alegre seja uma Suíça brasileira. No biênio 2011-2012, cinco jovens foram mortos lá. E a cidade tem seus problemas, como o trânsito congestionado no fim da tarde, filas no pronto-socorro e bairros que alagam após temporais. Ainda assim, o quadro é muito mais tranquilo do que o da maioria das cidades brasileiras com porte semelhante.

É bem verdade que Pouso Alegre parte de uma condição histórica privilegiada. “A cidade está numa área de desenvolvimento econômico e social antigo”, diz Miguel Matteo, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Fundada em 1848, teve um primeiro impulso com a agropecuária. Sua vizinha Poços de Caldas é a décima no ranking.

Entre as dez mais seguras, sete são cidades do interior paulista com perfil parecido, como Americana, Birigui, Limeira e São Caetano do Sul — centenárias, com até 250 mil habitantes e relativamente ricas. O grupo de dez é completado pela catarinense Joinville.

Com uma base socioeconômica sólida, Pouso Alegre recentemente passou a combinar políticas das esferas municipal, estadual e federal em três áreas vitais para a garantia do futuro dos jovens. Sua segurança é baseada no policiamento comunitário: os guardas estão presentes nos bairros e conhecem os moradores. Na economia, a estratégia é de atração de investimentos. O terceiro ponto é a oferta de qualificação profissional.

Em resumo, a cidade faz o feijão com arroz, mas faz bem temperado, à mineira. “Nosso objetivo é garantir oportunidades de treinamento e de emprego aos jovens”, diz o prefeito, Agnaldo Perugini, do PT, que iniciou em 2013 seu segundo mandato. A cidade ganhou 11 mil postos de trabalho desde 2008.

O número corresponde a uma vaga para cada 12 habitantes — a média nacional foi de um emprego criado para cada 27 pessoas.

Fonte:  Planeta Sustentável Abril

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2 Responses to “A receita mineira”

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