Casa limpa com vinagre, bicarbonato e óleo de eucalipto

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Foto: Jan Willemsen via Photopin (Creative commons)

 

Giuliana Capello – 20/01/2015 às 12:06

Um setor no supermercado que eu praticamente não frequento é o dos produtos para limpeza da casa. Só de atravessar o corredor com aquele monte de embalagens plásticas coloridas e de cheiro forte, fico zonza, espirro e, se eu demorar mais do que alguns poucos minutos, me dá até dor de cabeça. Frescura? Pode ser. Mas talvez seja falta de hábito mesmo, se pensarmos que nós, humanos, temos o péssimo dom de nos acostumarmos ou nos adaptarmos a quase tudo nessa vida – não sentimos mais o gosto da água clorada que chega às nossas torneiras (quando ainda temos essa sorte…), não percebemos a diferença no sabor dos legumes com agrotóxicos, não nos importamos mais com a fumaça pesada dos carros, e até associamos o “perfume” de muitos produtos tóxicos a uma sensação de higiene e limpeza (quem é que não conhece alguém que acha que roupa limpa tem que ter cheiro de amaciante floral, ou que banheiro limpo deve sempre ter cheiro de produto de limpeza?).

Para simplificar e garantir uma casa limpa e, ao mesmo tempo, livre de produtos tóxicos totalmente dispensáveis, sigo uma receitinha simples, caseira, de um bom limpador multiuso: misturar, em um balde com água, uma colher de sopa de vinagre de maçã (ou outro de sua preferência), uma colher de bicarbonato de sódio e algumas gotas de óleo de eucalipto (gosto mais do citriodora, mas o glóbulos também é boa opção) ou de citronela (que ainda funciona como repelente de insetos). Depois, é só embeber um pano na solução e passar no piso, nos azulejos, nos metais e louças do banheiro, nos vidros das janelas, enfim, onde quiser.

A receita não é prejudicial à saúde e limpa a casa com eficiência. Não é preciso usar luvas nem máscaras ou ficar horas lavando as mãos para tirar os resíduos ou fazendo sessões de “beleza” para recuperar a pele que ficou ressecada, avermelhada, coçando… Para lavar a louça, já existem alguns produtos industrializados mais amigáveis. Gosto de usar uma pasta de coco que tem uma fórmula bem suave. E nada mais.

Na máquina de lavar, vario um pouco: dependendo da roupa, lavo com sabão de coco puro (dá para, neste caso, acrescentar uma colher de vinagre – não deixa cheiro na roupa, não – e outra de bicarbonato), ou um produto biodegradável, à base de óleo essencial de capim-limão. Também uso, nas roupas menos encardidas, uma daquelas bolinhas “mágicas” (laundry balls) com feijõezinhos de cerâmica dentro, que desgrudam a sujeira dos tecidos, sem precisar de qualquer tipo de sabão. Seja qual for a opção, dispenso amaciantes, alvejantes, tira-manchas e outras promessas de limpeza eficiente que mais fazem sujar nosso planeta…

Ah, e os benefícios dessa limpeza mais leve não param por aí. Essas opções caseiras são muito mais baratas do que as versões da indústria, por exemplo. E pense comigo: se o produto é forte para você, imagine para a água (e para os nossos bichinhos de estimação)! Em outras palavras, se você usa produtos químicos pesados, certamente está poluindo algum curso d’água – que, depois, num futuro cada vez mais próximo do presente, fará falta para você e sua comunidade.

Aqui na ecovila é regra: toda casa tem o dever de tratar seu esgoto no próprio terreno. Cada um cuida do seu. Não temos uma estação de tratamento que centraliza os resíduos dos moradores (muitas vezes, quando terceirizamos algumas atividades, deixamos de ter consciência sobre elas e de buscar uma redução constante de danos e impactos, já que, nessa lógica, alguém vai cuidar disso para nós…). Algumas casas fazem uso de biodigestores, outras contam com BETs (bacias de evapotranspiração, um sistema que utiliza plantas para filtrar as impurezas da água), enfim, existem soluções técnicas ecológicas, que não fazem uso de química pesada, e elas não custam horrores.

Essa responsabilidade ultrapassa as fronteiras da vida privada das famílias – e este é um ponto bem importante de notarmos – a partir do momento que a qualidade das fontes de água reservadas a todos depende da maneira como tratamos o solo, de como dispensamos nossos resíduos e, claro, do tipo de resíduos que despejamos na terra e na água que nos abastece.

A água pura que bebo diariamente nasce a menos de duzentos metros da minha casa. Se meu esgoto fosse pesado e tratado de maneira inadequada, em pouco tempo eu poderia perder esse bem preciosíssimo que temos. E isso em nome de um cheirinho “bom” no banheiro?! De um super clareador de roupas brancas? De um produto que tira em segundos a gordura do fogão? Nem pensar! Mais fácil e saudável é deixar de fritar bacon e batatas…

Há outras vantagens nesse jeito simples de cuidar da casa. Você pode, por exemplo, variar o óleo que usa para deixar um cheirinho agradável. No quarto das crianças, por exemplo, dá para substituir o eucalipto por umas gotinhas de lavanda ou laranja doce, que ajudam a acalmar e relaxar os pequenos na hora de dormir. No escritório, para ativar a mente e a concentração, óleo de alecrim, menta-piperita, cravo, entre outros. No cantinho dos pets, óleos de neem e melaleuca ajudam no combate às pulgas. E, para aquele ambiente destinado aos momentos de relaxamento, de prática de yoga, meditação ou leituras restauradoras, um bom óleo de sândalo, ou benjoim, ou lavanda, gerânio, jasmim…

Quanto mais naturais forem nossas escolhas, menos poluentes estaremos ingerindo e despejando na terra e na água. A indústria da limpeza (parceira fiel dos fabricantes de agrotóxicos, pesticidas, medicamentos, cosméticos e até armas químicas) que me desculpe, mas, de limpeza de verdade ela não entende nada, porque não sujar é muito melhor do que limpar. No mais, a natureza nos dá tudo. É só sabermos usar.

 

Fonte: Planeta Sustentável

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