Colegas usa sonhos contra preconceito

“Colegas” chega aos cinemas depois de conquistar prêmios e uma boa receptividade no circuito de festivais. Premiado no Festival de Gramado 2012 nas categorias de Melhor Filme e Direção de Arte, além de ter levado um Prêmio Especial do Júri, “Colegas” também foi eleito Melhor Filme Brasileiro pelo público na Mostra de São Paulo. Trata-se de um filme simpático sobre três portadores da Síndrome de Down, que se aventuram a pegar a estrada num conversível furtado, usando roupas de circo durante a viagem.

“Fiz um filme sobre sonhos”, diz o cineasta Marcelo Galvão, durante a entrevista de divulgação do filme. “Eles são mais fáceis de realizar do que a gente imagina. O que Ariel Goldenberg conseguiu na vida mostra isso”, completa, referindo-se ao protagonista da trama. Ariel Goldenberg, de 31 anos, assim como Rita Pokk, de 32, e Breno Viola, de 31, têm síndrome de Down. No filme, eles interpretam situações que conhecem bem.

O trio foi selecionado depois de entrevistas com cerca de 300 garotos. Suas dificuldades com a fala estão na tela. Entretanto, isso não representou problema. “Você explicava como é o personagem e, em segundos, eles já eram o que se pediu”, conta o diretor, elogiando a capacidade dos três para embarcar em seu roteiro. Isto porque eles não são amadores. Ariel trabalhou na novela “Jamais te Esquecerei” (SBT), na série “Carga pesada” (Globo) e em peças de teatro. Rita atuou na mesma novela e em espetáculos teatrais. Breno é faixa preta de judô e coordenador do site Movimento Down.

Mas Galvão não precisou procurar exemplos distantes para contar a história de “Colegas”. Um tio com Síndrome de Down, falecido há dois anos, aproximou aquele universo da sua vida. “Eu nunca quis levantar uma bandeira, fazer um filme que falasse sobre o Down”, explicou o cineasta. “Escrevi um filme que falasse sobre uma aventura, divertido, engraçado, assim como meu tio era”, conta, lembrando que o portador da deficiência também ama, trabalha, faz piadas e sonha.

“A Síndrome é parte da vida dos atores, mas abordei isso de forma jocosa, sem ser politicamente correto”, explicou Galvão. “Depois de cinco minutos, todos se esquecem de que os atores têm Síndrome de Down, passam a torcer pelos personagens e entendem o ponto de vista deles, garante o diretor, revelando que procurou evocar na trama o clima lúdico do blockbuster “Forrest Gump” (1994), também centrado num protagonista com dificuldades de aprendizado.

Referências cinematográficas, por sinal, não faltam na produção. O mote é que os personagens trabalham na videoteca do internato em que moram. Por isso, inspiram-se no filme “Thelma & Louise” (1991) para embarcar em seu próprio road movie, em busca de seus sonhos, que são: voar, casar e ver o mar.

Apesar de protagonizado por adultos – todos com mais de 30 anos – , há algo de infantil na história, uma fantasia assumida, com direito a atos irresponsáveis, como o furto do carro em que viajam e até a um assalto “inspirado” em “Pulp Fiction” (1994). Mas, por outro lado, há cenas que confrontam o clima de criancice, como o sexo entre dois dos protagonistas, Ariel e Rita, que são casados na vida real.

Trata-se de uma quebra de tabus, que Marcelo Galvão fez questão de filmar para demonstrar que os deficientes têm os mesmos desejos que os demais. “Tive a preocupação de que ficasse esteticamente bonito”, explicou o diretor, lembrando que, na trama, aquela era a primeira vez dos dois. “O filme tem essa poesia, de induzir a alguma coisa de uma forma delicada”, completou.

Filmar uma história estrelada por deficientes, porém, não foi tão mágico assim na vida real. Ao contrário. Galvão conta que muitas empresas negaram o patrocínio por temerem associar suas marcas à Síndrome de Down. “Teve muito preconceito, mas também teve muita gente bacana que olhou pelo outro lado. Era uma oportunidade de você estar fazendo um filme bacana, divertido, que pudesse dar uma bilheteria e que também seria um projeto de inclusão social”, relatou.

Boas intenções, contudo, sempre guardam grande potencial para sair do tom e cair na apelação. Além de artifícios dramáticos para forçar uma reação emotiva do público, “Colegas” lançou uma campanha viral para trazer o ator Sean Penn para prestigiar sua estreia. O motivo? O fato de Ariel Goldenberg ser seu fã. Algo sem nenhuma ligação com o filme e basicamente chantagem emocional.

Mas o vídeo marketeiro bombou, foi parar nos trending topics do Twitter e virou memê, com a adesão de famosos – Juliana Paes, Neymar, Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, Rogério Flausino, Bruno Garcia e Falcão, entre outros. Os integrantes do filme já falam até na próxima campanha. O Oscar…

Este ruído faz esquecer que há um filme, com diversos problemas inclusive, que ainda precisa encontrar seu público – não tem apoio da Globo, o que costuma ser fatal – para permanecer em cartaz por mais de uma semana no Brasil. Sonhar é bom, mas é preciso lidar com a realidade. Fazer cinema neste país não é nenhum conta de fadas.

 Leia também a crítica:

Colegas é uma aventura de cinema e de inclusão social

Fonte: http://pipocamoderna.com.br


Simulação sem compromisso

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
You can leave a response, or trackback from your own site.

6 Responses to “Colegas usa sonhos contra preconceito”

  1. Osman disse:

    Aveces la descarga es una versif3n suiorper a la indicada, normalmente para corregir algfan problema puntual.Solo cuando hay cambios importantes se anuncia una nueva versif3n.

  2. Biniyem disse:

    92,En effet, peut eatre parce qu’il est plus facile de re9agir que d’agir ? De plus si le sujet parle et est d’actualite9, il reste cpmiloque9 e0 de9crire sans parler du plan de financement qui est tre8s complexe e0 de9cortiquer et e0 analyser ..Mobiliser la BEI c’est encore plus cpmiloque9 que de faire financer des projets au titre du programme UE objectif compe9tititvite9 et emploi : politique de cohe9sion (autrement dit re9gionale) finance9e par les fonds structurels Ce qui rend d’autant plus inte9ressante la de9marche re9ussie par SR .mais dire uniquement cela c’est risquer de passer pour des idole2tres n’est-ce pas ?

  3. my website disse:

    my website

    Enicomputer, a página do Buzum | Enicomputer, a pagina do Buzum – Tocos do Moji, Sul de Minas, Brasil

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.

Powered by WordPress | Download Free WordPress Themes | Thanks to Themes Gallery, Premium Free WordPress Themes and Free Premium WordPress Themes
WP-Backgrounds by InoPlugs Web Design and Juwelier Schönmann