Humor de Vai que Dá Certo, quem diria, deu certo

By: Ailton Monteiro

E não é que deu certo mesmo? Para quem já espera de uma comédia contemporânea brasileira o mal cuidado com o roteiro e o humor constrangedor, eis que, saindo da Porta dos Fundos, vem um grupo para sacudir um pouco a poeira e mostrar que ainda há salvação para o humor brasileiro e que este não deve ficar apenas restrito a esquetes no YouTube, que é como começou o grupo de comediantes do Porta dos Fundos. Tudo bem que o filme não é só deles, mas tendo dois integrantes (Fábio Porchat e Gregório Duvivier) e mais os diálogos a cargo do próprio Porchat, “Vai que Dá Certo” é o mais próximo que temos no cinema do humor do grupo.

Os demais integrantes não atrapalham: ao contrário, todos estão muito bem. Natália Lage é a única mulher do grupo, mas é tão bela e cheia de charme que nem precisa de outra. Quanto aos demais marmanjos, Danton Mello, Lúcio Mauro Filho e Felipe Abib completam o time de sujeitos desastrados que tomam uma atitude bem drástica para sair do buraco em que se encontram: assaltar um carro-forte. Bruno Mazzeo aparece para dar sorte, já que suas últimas comédias no cinema, se não são necessariamente essas maravilhas, tiveram, em geral, boa recepção nas bilheterias.

Dos rapazes, vale destacar os olhos esbugalhados (marca registrada) de Lúcio Mauro Filho, que é o sujeito que oferece ao amigo vivido por Danton Mello a ideia de assaltar um carro-forte. Gregório Duvivier se destaca como o mais engraçado do grupo, fazendo o personagem nerd. Ele é o mais inocente e infantil da turma, mais preocupado com videogames e disputas de cultura inútil, entre James Bond e Batman, que acaba gerando alguns dos momentos mais divertidos do filme.

O que mais funciona em “Vai que Dá Certo” é justamente a leveza e o tom descompromissado com que o roteiro leva o filme, sem muita preocupação em parecer inteligente, mas conseguindo com habilidade apostar também no absurdo, no que se refere às tentativas dos personagens de conseguir dinheiro para consertarem a confusão que fizeram, entre policiais, mafiosos e políticos.

O filme, ainda por cima, conta com uma participação bem especial de Lúcio Mauro (o pai), no papel de um velho militar aposentado com Alzheimer que, como de hábito, ajuda a dar ao filme certa nobreza. Sem falar que ele é engraçado até em drama depressivo, como foi o caso de “Feliz Natal” (2008), de Selton Mello.

A soma de todos estes fatores traz um certo frescor para as comédias feitas para o cinema que ultimamente não andavam muito bem. Tanto Porchat, com o horroroso “Totalmente Inocentes” (2012), quanto Mazzeo, com o constrangedor “Cilada.com” (2011), mostraram tudo o que podia dar errado – e continua dando, já que “Cilada.com” terá continuação. Desta vez, porém, algo deu certo. E, sem querer desmerecer a direção competente de Maurício Farias (“A Grande Família – O Filme”), a torcida agora é por um filme mais independente, estrelado pelo elenco do Porta dos Fundos e com direito à presença de Clarice Falcão.

Vai que Dá Certo

Fonte: Pipoca Moderna

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