Ilustrador mostra cidades americanas embaixo d’água

Desenhos de Nickolay Lamm foram baseados em projeções científicas e mostram como atrações turísticas ficariam se as mudanças climáticas continuarem no ritmo atual

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Reprodução:
Nickolay Lamm/StorageFront.com
Ocean Drive, importante ponto turístico em Miami Beach, em quatro tempos (da direita para a esquerda, de cima para baixo): hoje; daqui a cem anos (+1,5 metro); em 2300 (+3,7 metros) e nos séculos seguintes (+7,6 metros)

Verões mais quentes no Hemisfério Norte e o acelerado

degelo das calotas polares são alguns dos fenômenos atribuídos ao aquecimento global que já são sentidos no planeta. Mas os cientistas ainda têm dificuldades para demonstrar quais podem ser as consequências mais extremas das mudanças climáticas na vida dos habitantes das grandes cidades.

Pensando nisso, o artista gráfico americano Nickolay Lamm criou uma série de ilustrações mostrando o que acontecerá se o aquecimento global seguir no ritmo previsto pelos cientistas e o nível do mar continuar subindo pelos próximos séculos. “Eu quero que as pessoas olhem para essas imagens e entendam que os lugares que eles mais valorizam podem muito bem estar perdidos para as próximas gerações se as mudanças climáticas não se tornarem uma grande prioridade em nossas mentes”, disse Lamm, em entrevista ao site da revista Veja.

O artista se baseou em uma série de infográficos realizados pelo jornal americano New York Times, que mostrava como os mapas de diversas cidades se alterariam conforme o nível do mar crescesse. Para ter acesso aos dados utilizados pelo jornal, Nickolay Lamm entrou em contato com Remik Ziemlinski, pesquisador do Climate Central, grupo americano de cientistas que estuda o aquecimento global. Os dados levantados por Ziemlinski e utilizados na confecção dos mapas vêm de levantamentos realizados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos e de pesquisas publicadas nas revistas Science e Nature Climate Change no ano passado.

É bastante difícil prever exatamente quanto o clima deve mudar nos próximos anos — as estimativas científicas vão de um a 6,4 graus Celsius — , mas ainda mais difícil é medir a consequência disso no nível do mar. Por isso, as ilustrações de Lamm mostram três cenários diferentes:
– o primeiro prevê que o nível dos oceanos deve subir 1,5 metro entre um e três séculos, independentemente das ações que sejam tomadas hoje — o estrago já está feito;
– o segundo cenário mostra o que pode acontecer dentro de 300 anos se nada ou muito pouco for feito para reduzir as emissões: o mar pode aumentar em até 3,7 metros;
– o último cenário é baseado em estudos que mostram que o aquecimento global descontrolado pode levar a aumentos de até 7,6 metros no nível do mar nos próximos séculos.

“Antes de minhas ilustrações, as únicas imagens que eu havia visto sobre o aumento do nível do mar vieram do cinema. Eu resolvi usar pesquisas científicas e criar ilustrações que eram baseadas em ciência, e não ficção científica”, conta o artista.

Nickolay Lamm usou uma série de ferramentas para criar suas ilustrações. Primeiro, ele precisou encontrar fotografias dos lugares que serão alagados no futuro. Depois, ele usou o Google Earth (uma ferramenta do Google que fornece informações geográficas) para descobrir o exato local onde a foto foi realizada, e marcar a localização de todas as ruas e informações mostradas na imagem. Em seguida, cruzou os dados da imagem com aqueles presentes no mapa que descreve o aumento no nível de mar, marcando onde e com que intensidade o alagamento deverá aparecer. Por fim, ilustrou esse aumento no nível do mar usando ferramentas de edição de imagem, como o Photoshop. Segundo o ilustrador, o processo todo leva de 5 a 15 horas, a depender da imagem. “As mais demoradas foram aquelas que mostram as paisagens a partir de uma perspectiva superior, porque elas envolvem muitos detalhes, que tiveram todos de ser desenhados a mão”.

Abaixo, a reprodução das imagens de mais dois lugares nos quais o impacto do aquecimento global será mais sentido: Universidade de Harvard e Ocean Drive em Miami Beach.

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Reprodução:
Nickolay Lamm/StorageFront.com
O Hotel Boston Harbor, localizado perto da zona portuária da cidade, em quatro diferentes momentos (da direita para a esquerda, de cima para baixo): hoje; daqui a cem anos (+1,5 metro); em 2300 (+3,7 metros) e nos séculos seguintes (+7,6 metros)

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Reprodução:
Nickolay Lamm/StorageFront.com
Universidade Harvard – a mais antiga dos EUA – é ilustrada em quatro estágios do aquecimento global (da direita para a esquerda, de cima para baixo): hoje; daqui a cem anos (+1,5 metro); em 2300 (+3,7 metros) e nos séculos seguintes (+7,6 metros)

Fonte:  Planeta Sustentável

primark

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