Maria de las Gracias Franceschini: paulistana nota dez

A fisioterapeuta montou um ônibus-clínica que atende as pessoas em regiões carentes. Em seis anos, já fez cerca de 40 mil atendimentos

Mario Rodrigues 

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Júlia Gouveia – Veja SP
Há dez anos, Maria de las Gracias Franceschini atendia como terapeuta holística em um consultório particular, mas sonhava mesmo era com um trabalho voluntário que não a prendesse em um lugar fixo. Seu primeiro passo para concretizá-lo envolveu a matrícula em uma faculdade de fisioterapia

Em 2007, já formada, depois de vender um terreno e um carro, desembolsou 150 000 reais na aquisição e adaptação de um ônibus: os bancos foram retirados e entraram macas, bolas terapêuticas e outros equipamentos de reabilitação. Assim surgiu o Fisioterapia Itinerante, uma clínica ambulante que oferece tratamento a moradores de bairros pobres da Zona Sul. 

Os atendimentos ocorrem às segundas no estacionamento do supermercado Makro, em Interlagos; às terças e quintas na Igreja Nossa Senhora Aparecida, no Grajaú; e às quartas e sextas na Igreja São Francisco Xavier, no Jardim Miriam. “Quase não há clínicas especializadas nesses locais e as pessoas demoram muito para conseguir vaga no SUS”, afirma Maria, que nasceu na Bahia e está radicada em São Paulo há vinte anos.

No início, Maria assumia também o volante do veículo. O cansaço a fez contratar um motorista, mas o desgaste continua grande. Durante meia hora, ela realiza massagens e movimentos nos membros dos pacientes. Isso se repete dez vezes ao dia, em média. Para aguentar o ritmo, frequenta aulas de pilates e musculação três vezes por semana. “Meu trabalho exige condicionamento físico impecável”, explica. 

Atualmente, outros quatro profissionais atuam ao seu lado no projeto. Ele oferece por volta de 35 atendimentos ao dia – foram cerca de 40 000 em seis anos. Nesse período, acumulou casos como o do jovem que sofreu um AVC há cinco anos e só era capaz de abrir o olho. Hoje, ele já consegue sentar. “É emocionante ver um paciente de cama voltar a ganhar sua independência”, afirma Maria. 

Como não tem patrocinadores, a fisioterapeuta pede uma colaboração de 18 reais por pessoa para ajudar a bancar os 5 000 reais de custos mensais. O que não inviabiliza a sessão gratuita para quem não tiver condições. Para se manter, ela atende clientes particulares em domicílio, cobrando até 200 reais. “Eu não vivo do ônibus, mas para o ônibus.”

 

Fonte:  Planeta Sustentável

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