Óleos essenciais x fungicidas sintéticos

Reprodução
Foto: Lippia alba

Quando o milho em grão é armazenado em grandes silos, geralmente passa por pulverizações de fungicidas sintéticos logo na entrada, ainda na esteira usada para descarregar os caminhões. Em um país com alta umidade do ar durante a maior parte do ano, como o Brasil,  isso é importante para assegurar a qualidade do grão armazenado e diminuir a perda.

Ocorre que nenhum fungicida sintético elimina 100% dos fungos mais comuns, dos gêneros AspergillusPenicillium ou Cladosporum. Então, os fungos sobreviventes dão origem a novas gerações resistentes ao princípio ativo do fungicida aplicado, seja ele qual for. E aí o jeito é aumentar a dose ou mudar de princípio ativo para não deixar a colheita de milho exposta ou, pior, arriscar a contaminação pormicotoxinas, que são toxinas derivadas de alguns desses fungos, como Aspergillus flavus e A. parasiticus.

Com a dose aumentada ou o princípio ativo trocado, novamente se aplica a regra: nenhum fungicida elimina 100% dos fungos, então os sobreviventes criamresistência e recomeça a ciranda. Para quebrar o círculo vicioso, só mesmo mudando a estratégia!

E foi assim que, em 2006, teve início a pesquisa com óleos essenciais antifúngicos, realizada sob a coordenação de Eduardo Micotti da Glória, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “Muitas plantas tem ação antifúngica e até repelência contra insetos, cada uma com um composto diferente. Então comecei a estudar a viabilidade de pulverizar os óleos essenciais como é feito com os fungicidas sintéticos: na esteira de armazenagem”.

Não só deu certo, como os óleos admitem misturas, tornando cada pulverização mais eficaz. “Associar mais de um princípio ativo diminui a possibilidade de os fungos desenvolverem resistência. É muito difícil escapar de dois princípios ativos e ainda podem ser misturados outros: quanto mais princípios, mais efetiva a ação antifúngica”, diz o pesquisador.

Entre as plantas brasileiras boas para manter o milho sem fungos estão duas espécies do gênero Lippia: o alecrim-pimenta (L. sidoides) e a erva-cidreira-brasileira (L. alba). Da primeira, oriunda da Caatinga nordestina, se extrai o timol. E da segunda, nativa da América do Sul, incluindo Brasil, vem o citral. Em muitas misturas, Micotti da Glória acrescenta os extratos de eucalipto e de capim santo, duas espécies exóticas, mas amplamente cultivadas no País.

“O benefício é duplo: para a saúde e para o meio ambiente”, afirma. “E existem muitos princípios ativos com os quais podemos contar”. Na Esalq, ele trabalha com alunos de Iniciação Científica. A extração dos óleos essenciais é feita a partir das folhas, por hidrodestilação: as folhas são colocadas para ferver na água e liberam o óleo, que depois é separado por diferença de densidade. Em instalações industriais, futuramente, será possível fazer um processo mais rápido, por arraste de vapor.

Para os testes nos armazéns, a equipe da Esalq conta com a colaboração das Agências Paulistas de Tecnologia dos Agronegócios (APTAs), ligadas à Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O sucesso obtido com o milho já levou o especialista em Tecnologia de Alimentos a ampliar a pesquisa para o controle de fungos em frutas. Os primeiros testes, com diversas frutas, foram realizados na APTA de Bauru e já estão em fase de preparação mais alguns experimentos com abacate e manga, na Unesp de Jaboticabal. Morango e abacaxi são os próximos na fila.

As frutas com casca podem ser imersas em soluções contendo os óleos essenciais, o que fica mais prático e mais barato do que as pulverizações. Existem algumas experiências com películas (Leia o Biodiversa Frutas com veneno, nunca mais!)que podem ser conciliadas com os óleos essenciais antifúngicos. “A combinação de película com óleos aumenta muito o tempo de prateleira das frutas e pode até dispensar a refrigeração, reduzindo significativamente as perdas porapodrecimento, que são altas no Brasil”, afirma Eduardo Micotti da Glória.

Além de ser uma ‘salvação das colheitas’, o pesquisador acredita que os óleos essenciais podem ser usados em dispersores ambientais – objetos cerâmicos que dispersam os compostos no ar – e em roupas, mantendo suas características antifúngicas e repelentes de insetos. Ainda faltam muitos testes para estes usos. Mas são possibilidades bem interessantes.

Fonte:  Planeta Sustentavel

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