Picadas que salvam

Para quem acha que vacina é assunto exclusivo de criança pequena, um alerta: a imunização também poupa adolescentes e adultos de sofrimento. Saiba quais são as vacinas que você não pode deixar de tomar

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Cristina NabucoClaudia – 02/2015

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Em novembro de 2014, enquanto realizava a campanha nacional de vacinação contra sarampo e paralisia infantil, o Ministério da Saúde aproveitou para fazer um chamado relacionado à vacina de HPV, que impede o câncer de colo do útero, um dos tumores que mais matam as brasileiras.

Aplicada em três etapas, ela havia sido estendida a meninas de 11 a 13 anos. A adesão à primeira dose superou 90%, mas até aquele mês apenas 49% das garotas tinham retornado ao posto de saúde para receber a segunda das aplicações programadas. “Só a primeira não garante a imunização”, advertiu, preocupado, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, que permanece no cargo no novo governo de Dilma Rousseff. “É importante que os pais ou responsáveis levem as filhas para tomar a segunda e a terceira”, insistiu.

Dias depois, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou novas recomendações informando que duas inoculações bastam: são tão eficazes quanto as três preconizadas antes. “Isso deve reduzir os custos de prevenção nos países pobres”, destacou Nathalie Broutet, imunologista da OMS, durante o Congresso Mundial de Luta contra o Câncer, em Melbourne, na Austrália. As vacinas estão na ordem do dia: em outubro passado, mais uma foi incluída no calendário público de imunização da gestante, a de coqueluche, com o objetivo de proteger os bebês, principais vítimas dessa doença respiratória altamente contagiosa.

Essas notícias reforçam a importância da imunização e contribuem para derrubar a ideia de que vacina é cuidado exclusivo para o bebê e a criança. Movidos pela falsa crença, os adultos têm zelo em manter em dia a carteirinha dos pequenos, mas se esquecem de proteger os filhos adolescentes e a si mesmos. “A imunização é um ato de cidadania, poupa o indivíduo e a sociedade”, afirma o pediatra e imunologista Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim). “Até quem não pode ser vacinado se beneficia da imunidade coletiva que resulta da não circulação no ambiente de agentes infecciosos”.

Preparadas com vírus ou bactérias mortos ou vivos, mas atenuados, as vacinas estimulam o organismo a produzir anticorpos contra moléstias que podem ter consequências graves. Graças a essa estratégia, a varíola, que provocava feridas terríveis pelo corpo, além de cegueira e morte em até 50% dos casos, foi erradicada do Brasil em 1973 e do mundo em 1980. Mas há um porém: enquanto a maioria das vacinas infantis é aplicada sem custos pelo Programa Nacional de Imunização, boa parte das destinadas ao público maduro só é encontrada em clínicas particulares. Confira aquelas que adultos devem tomar.

GRIPE

Imuniza contra três cepas do vírus influenza circulante no Hemisfério Sul. Mas não contra o resfriado. “As pessoas confundem as duas doenças e desconfiam da vacina”, diz Renato Kfouri. Mais debilitante que outras infecções respiratórias, a gripe traz risco de complicações pulmonares graves. A vacina reduz em 50% o índice de faltas ao trabalho. É, porém, contraindicada para alérgicos a ovo. A dose anual é oferecida gratuitamente, nos meses de abril e maio, a idosos, gestantes, puérperas (até 40 dias após o parto) e portadores de doenças crônicas. Na rede privada custa, em média, 75 reais.

HEPATITE A
Contraída por meio de água e alimentos contaminados, sua incidência está em alta no país. Causa infecção no fígado, o que pode ser recorrente – e, em casos raros, é fulminante.

Indicada para adultos que não possuem imunidade contra o vírus, comprovada por exame de sangue, não costuma produzir reações. São duas doses, disponíveis na rede pública só para crianças de 1 a 2 anos. Cada uma custa cerca de 160 reais na rede privada.HEPATITE B
Transmitida na relação sexual e pelo contato com sangue contaminado se são compartilhados agulhas, seringas e instrumentos de manicure mal esterilizados, pode causar infecções crônicas no fígado capazes de evoluir para cirrose e câncer. A vacina representa mais de 95% de proteção. Não há registro de efeitos colaterais graves. São três doses, fornecidas nos postos para homens e mulheres até 49 anos. O custo na rede privada é de 95 reais a dose. Pode-se tomar a combinada: hepatite A e B, em três etapas, por cerca de 150 reais a dose.TRÍPLICE BACTERIANA
(DIFTERIA, TÉTANO E COQUELUCHE)
Em quatro anos, a incidência de coqueluche cresceu dez vezes no Brasil. Somente em 2013, foram registrados 6.368 casos e 109 mortes, a maioria bebês. Por isso a inclusão dessa vacina no calendário das gestantes. A tríplice bacteriana protege ainda contra a difteria, doença que ataca as amígdalas e pode causar asfixia, e o tétano, mal que compromete o sistema nervoso central, levando à rigidez muscular. A vacina às vezes provoca reações locais, como dor, inchaço e vermelhidão. Os adultos devem tomar em clínicas particulares ao custo médio de 190 reais. Na rede pública, encontra-se apenas a dupla bacteriana, contra difteria e tétano, dada até os 59 anos. Ambas necessitam de reforço a cada dez anos.

TRÍPLICE VIRAL
(CAXUMBA, SARAMPO, RUBÉOLA)
Enquanto a caxumba acarreta inchaço das glândulas salivares, o sarampo e a rubéola geram sintomas semelhantes aos do resfriado. São perigosas na gravidez: a caxumba causa abortos; as outras duas, malformações fetais. Uma pessoa está imunizada se contraiu essas doenças ou recebeu duas doses da tríplice viral. Mas é preciso ter certeza. “Se alguém ouviu que teve sarampo na infância, deve checar a informação. Se isso não for possível, o melhor é ter cautela. Então, em caso de viagem para um lugar com surto da doença, deve-se tomar a vacina antes de ir”, diz Kfouri. Os efeitos adversos são febre e erupções na pele. Adultos podem, ainda, ter dores e inflamações nas articulações. A vacina é aplicada em dose única no serviço público para nascidos a partir de 1960. Na rede privada, são duas doses ao custo médio de 65 reais cada uma.

VARICELA (CATAPORA)
Antes da imunização, de 70% a 90% das pessoas contraíam a doença até os 15 anos. Caracteriza-se pelo surgimento de bolhas na pele, seguidas de crostas que coçam. Nos adultos, tende a ser mais grave. Gestantes correm risco até de abortar. A vacina está disponível na rede pública para bebês de 15 meses em formulação tetraviral. Protege contra caxumba, rubéola, sarampo e catapora, doenças causadas por vírus. Quem não teve catapora deve procurar uma clínica particular, onde a vacina é dada em duas doses, cada uma a 170 reais.

HPV
“No sexo, mais de 80% da população entra em contato com o vírus do papiloma humano, que está relacionado ao câncer de colo do útero e a tumores no ânus, na boca, vagina e vulva”, diz a médica Isabella Ballalai, presidente da Comissão de Calendários e Consensos da Sbim. Duas vacinas disponíveis protegem contra os subtipos 16 e 18, mais associados ao câncer.

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